quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Fuga das Regras

ou Porque eu não devo fazer as jogadas "automaticamente"?

Sim, o título é ambíguo. =)

Quantas vezes já não vimos um iniciante sendo ajudado por um jogador mais experiente, ou mesmo um jogador experiente pegando um deck que ele nunca usou antes, e seus instrutores começam a alegar "no seu segundo turno você faz carta X sempre que você tiver", ou então "essa carta aqui vai no deck exclusivamente para fazer tal coisa". Até aí, sem grandes problemas, o maior problema é quando a pessoa te leva ao pé da letra, e aí se transforma naqueles cavalos de corrida, que tem uma viseira que permitem que eles olhem apenas para frente! Isso é um absurdo!

Imaginem por exemplo um deck hipotético qualquer que tenha grandes dificuldades para lidar com Manlands. Na segunda partida, você sobe do seu sideboard para seu deck 4 Fulminator Mage, a fim de lidar com as Treetops do seu oponente. E lá está você, no seu quinto turno, com 2 fulminator na mesa e seu oponente com dois terrenos, e você não os destrói, porque os fulminators devem quebrar as treetops.

Dá pra notar o problema de se jogar automaticamente? É lógico que você vai falar "ah, ninguém faria isso, é muita falta de bom senso!". Verdade! Mas existem outros exemplos mais sutis que acabam passando despercebidos.

Um exemplo bom é na época em que tínhamos tanto o Force Spike como mais tarde o Mana Tithe. A via de regra, você só devia jogá-los quando seu oponente não pudesse pagar essa mana, mas em várias ocasiões, tirar a mana do jogador podia impedir, por exemplo, uma cólera.

Me recordo do Tipo2 na época de sétima edição, bloco de odisséia e de investida. Estava jogando de UW control (rogue), enquanto meu oponente pilotava um UG. A partida era relativamente simples pra mim, até que caísse uma Genesis no cemitério do meu oponente. A partida já estava em 1x1, e então, com 7 manas, meu oponente fez a Genesis, ficando com duas manas desviradas.

Eu, por minha vez, tinha 4 manas desviradas, e na mão eu tinha um Force Spike, uma Counterspell e um Syncopate. Era óbvio que meu oponente também tinha uma counterspell na mão, e também era certo que ele queria a Genesis no cemitério dele, mas eu tinha que anulá-la, caso contrário ela me colocaria pressão o suficiente. Qual você acha que era a jogada correta?
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Até hoje eu não sei se fiz a jogada certa, embora ela tenha funcionado. Eu simplesmente fiz aquela cara de "só me faltava essa" e joguei o Force Spike. Meu oponente pagou 1 e tomou na sequência o Syncopate para 2, que ele não pode pagar. Ele chegou a me mostrar a counterspell, e perdeu a partida no mindtrick, partida essa que estaria acabada se eu jogasse "no automático". Caso eu tivesse feito logo de cara o Syncopate, eu teria tomado a Counterspell, e aí estaria com uma Genesis na mesa que eu nunca mais poderia lidar. A jogada mais certa do meu oponente, seria ter deixado a Genesis ser anulada pelo Force Spike. Entendam, NINGUÉM JAMAIS instruiria uma pessoa a tomar um 2-por-1 desse jeito, como eu tive que fazer. Por outro lado, meu oponente deve ter sido regrado com "ao tomar um force spike, se você puder pagar, PAGUE". Desse jeito ele não percebeu que a Genesis seria boa tanto na mesa quanto no cemitério, que a vitória dele chegaria de um jeito ou de outro, e não conseguiu ver as consequências da jogada dele.


Percebam que mesmo se meu oponente tivesse jogado certo e deixado a Genesis ser anulada pelo Force Spike, eu mesmo assim teria saído na vantagem, já que ia ter usado uma carta "inútil" naquele ponto do jogo para anular uma criatura 4/4! Embora eu tivesse POUQUÍSSIMAS respostas, eu teria dois counters na mão e alguma disposição para tentar voltar ao jogo.

Se você é um leitor assíduo do blog, notará que esse artigo faz uma abordagem muito semelhante ao O Poder das Escolhas. Eu lamento, mas esse assunto é tão amplo, que sempre a um novo jeito de abordá-lo. Minha idéia era totalmente diferente, mas o texto começou a ter pontos-comuns, a fuga das regras e a análise das possibilidades para escolha da melhor jogada. Isso é tudo que você tem que fazer para chegar ao topo, as vezes você fará isso de um modo fácil, outros difíceis. Nem sempre você vai acertar quando tentar inovar, mas a experiência é o maior dos ganhos que você pode ter, porque Magic muda toda hora, mas é sempre igual! O que você aprende hoje é apenas remodelado mais tarde, mas continuará como você aprendeu, e um bom jogador continua sendo um bom jogador por longos tempos!

Espero que tenham gostado! E não esqueçam de comentar!

8 comentários:

  1. Cauê, gostei muito do texto. Ele nos faz refletir o quanto as decisões influenciam uma partida, por menor que ela seja. E muitas vezes alguem poe a culpa por uma derrota na falta de sorte e se esquece de uma jogada errada que poderia mudar o rumo da partida.

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  2. Cara, muito bom o texto!
    Acessar (assim q escreve? xD) o blog diariamente e ler textos tão legais que nos levam a pensar em como estamos jogando Magic é recompensador...
    Parabéns

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  3. então a jogada que vc fez não sei se seria realmente a correta, ainda não sei qual é, só pensei que se o inimigo tivesse um aculeo ao inves do conterspell na mão o jogo teria tido um rumo muito diferente, pois vc jogaria o aculeo, ficando com tres manas e ele pagaria a mana do aculeo, ai para anular sem ir para o grave(com o sincopar) vc precisaria pagar as 3 manas, oque faria com que ele usasse seu aculeo modificando completamente a partida. Muito improvavel de acontecer, mas acho que deveria ressaltar. Muito bom os textos do blog entro todo dia para ver novidades. Gostaria de sugerir que vc fizesse um artigo para nos auxiliar com o draft e o selado, fazendo alguma simulação, e dando algumas dicas de como se draftar bem.
    um abraço

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  4. chineis, parabens cara!!

    eu gosto muito de acessar (sim Eduardo,e assim que se escreve =D) o seu blog, no qual eu entro todo santo dia!

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  5. @sotheros, eu não ligaria de descartar os 3 counters para remover a Genesis. Se ele tivesse o Acúleo, tanto faria eu usar o sincopar antes ou depois, eu no máximo teria economizado um acúleo para ele ficar com a Genesis do mesmo jeito... mas vale dizer que o deck dele com certeza não ia acúleo, pelo metagame da época, era "previsível" dizer que ia Lógica Circular e Counterspell, TALVEZ Lapso de Memória, mas nunca o Acúleo. =)

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  6. Curtinho, orém bom!
    Ainda bem q eu acertei a xarada!

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  7. Opa...
    Gostei bastante do texto, não era um leitor assíduo do Blog, mas de agora em diante pretendo ser.
    Eu achei q foi uma ótima jogada a sua, e uma boa dedução por saber que o oponente teria uma counterspell.
    É muito bom descutir esses assuntos, pois muita gente joga no automático, rssr... tipo.... eu era assim, mas com prática e experiência aprendemos mais e mais.

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  8. E aew tudo blz?
    Muito bom o artigo, mas só para colocar a minha
    opinião, se fosse eu daria o sincopar antes, pq
    se ele tivesse a counterspell vc anularia com
    o aculeo e se ele não tivesse vc teria salva
    um aculeo, mas é soh a minha opinião.
    Curti a idéia do artigo tbm, já vi muita gente
    q joga assim atualmente, mas na net q é onde eu
    jogo, e é a mais pura verdade, magic é um jogo
    de acaso, sempre deve-se pensar no oponente antes de fazer qualquer coisa loka.
    Só pra acrescentar, uma vez eu jogando de Burn
    Legacy, e sempre me falaram pra dar os burn
    na seguinte ordem, chain lightning, lava spike,
    riftbolt, lightning bolt . . . e adiante os custos mais pesados, mas jogando contra decks
    de controle, valia muito mais passar com os
    lands desvirados e fazer spells no turno do
    oponente, assim não preciava me preocupar
    com possiveis counters, ou seja, deck piloto
    automatico não existe.
    Abraço e continue com o bom trabalho, flws.

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